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Contos em Prosas



 

 

 

 

 

 

Sentir-se mar:

 

 

 Sentir-se mar é refletir o que me cai na superfície, seja doce ou imundice, seja luz ou escuridão.

 

Sentir-se mar é receber as águas doces que viajam milhares de quilômetros para em mim chegar, e junto a mim salgada se transformar.

 

Sentir-se mar, ver ao longe as mais altas montanhas ou a elas banhar.

 

Sentir -se mar enfurecer-me com o furacão, as mais altas ondas levantar, acalmar-me com a brisa e em pequenas ondulações me por a bailar.

 

Sentir-se mar ver as luzes das cidades as estrelas apagar, ver no meio do oceano estrelas a me iluminar.

 

Sentir-se mar, é mover-me entre os continentes com a lua a me puxar, a mesma que devolvo o brilho, que em mim faz chegar.

 

Sentir-se mar, é conhecer o mais profundo abissal oceano, até a rala espuma que na praia vai se acabar.

 

Sentir-se mar, ver os barcos minhas águas rasgar, leva-los ao fundo quando ponho a me irritar.

 

Sentir-se mar é ter dentro de mim muitas criaturas que lutam para sobreviver, para mais um dia ver o sol nascer.

 

Sentir-se mar é banhar o seu corpo e fluindo, as suas lindas e suaves linhas delinear.

 

Sentir-se mar é saber que  nunca vou chorar, porque sou como lagrimas, e lagrimas não choram são apenas seu produto.

 

Sentir-se mar é estar casado com a terra, é saber que esta união só vai acabar quando o sol a nós dois eliminar, e nenhuma dor vai ficar. 

 

 

Fábio Puglisi